quinta-feira, 29 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Adoniran
Adoniran Barbosa certamente foi um grande compositor e
também um grande poeta popular. Entretanto, esse era seu nome verdadeiro, e sim
João Rubinato. O nome Adoniran foi adotado por causa de um amigo do Correio, já
o sobrenome Barbosa foi adotado por causa de um compositor que era admirado
(MOURA e NIGRI, 2006).
Uma coisa muito presente nas letras de Adoniran são os erros
de português. É muito comum encontrarmos expressões da forma como o povo fala.
Na música “Tiro ao Álvaro”, por exemplo, a palavra “tábua” é substituída por
“táuba”.
Segundo Vianna (1995), Adoniran falou muita coisa sobre os
erros de português nas letras, podemos destacar a frase “Para falar errado,
precisa saber falar certo.”. Em uma entrevista Adoniran afirma “Falar errado é
uma arte. Se não, vira deboche.” Mais tarde ele diz “Pra escrevê uma boa letra
de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto”.
A respeito de Adoniran, Diniz (2006) afirma “Ele tinha plena
consciência de que escrevia suas músicas fora das normas gramaticais.
Entretanto, defendia com unhas e dentes o direito de se expressar como o povo
falava.”
Nigri e Moura (2002) também falam sobre o samba de Adoniram “as
melhores cadências do samba e da canção[...] se aliaram com naturalidade às
deformações normais de português brasileiro, em que Ernesto vira Arnesto, em
cuja casa “nós fumo e não encontremo ninguém”, exatamente como por todo este
país.
Em várias músicas de Adoniram fica evidente o uso do
português coloquial, demonstrando o jeito que o povo tem de se expressar.
Ouça a música “tiro ao Álvaro”: http://www.youtube.com/watch?v=lpEAQg6LEtg
REFERÊNCIA
DINIZ, André. Almanaque
do Samba. 2. Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.
MOURA, F. e NIGRI, A. Adoniran,
se o senhor não tá lembrado. 1 Ed. Rio de Janeiro: Jinkings Editores, 2002.
VIANNA, H. O mistério
do Samba. 6 Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Samba
Samba
Oficialmente o primeiro samba foi gravado em 1917 com o título de
"Pelo Telefone" e sob a autoria do músico carioca Donga.
A origem da palavra samba, contudo, parece ser mais remota. Seria,
provavelmente, uma derivação do quimbundo semba, que significa umbigada,
ou do umbumdo samba que significa estar animado ou estar
excitado.
Há também quem afirme que a palavra tenha sua ligação com a língua
luba e com outras línguas bantas, nas quais samba significa pular ou saltar com
alegria. O que prova que o samba é bem anterior à música de Donga.
Há uma quadrinha de frei Miguel do Sacramento Lopes Gama,
publicada no dia 12 de novembro de 1842, no número 64 da revista
"Carapuceiro", de Pernambuco, de grande importância histórica. Vamos
a ela:
Aqui pelo nosso mato,
Qu'estava então mui tatamba,
Não se sabia outra coisa
Senão a Dança do Samba.
Qu'estava então mui tatamba,
Não se sabia outra coisa
Senão a Dança do Samba.
O mais curioso é que essa não é a primeira aparição da palavra
samba na tal "Carapuceiro". Em 3 de fevereiro de 1838, o mesmo frei
Miguel escreveu um texto contra um certo "samba d'almocreve". O que
se deduz disso é que certamente "Pelo Telefone" não é o primeiro
samba, ou melhor, que o samba já estava na praça muitos anos antes de sua
primeira gravação.
Tipos de Samba
A partir do semba que os viajantes portugueses
descobriram no século 18 em Angola e no Congo, o etnólogo Câmara Cascudo
descobriu três tipos de dança que continham a base do ritmo que originou os
sambas brasileiros.
Essas danças são: a dança da umbigada, a de pares e a de roda.
Essa música e essas danças foram trazidas para o Brasil pelos escravos e
desenvolveram-se em uma área que vai desde o Maranhão até São Paulo. Receberam,
em cada Estado brasileiro, um nome diferente e um jeito diferente de ser
tocadas. Dos nomes e das ramificações desse ritmo africano temos hoje o tambor
de crioula no Maranhão; o bambelô no Rio Grande do Norte; o coco, o milindo, o
piaui e o samba no Ceará e na Paraíba; o coco de parelha trocada, o coco solto,
o troca parelha ou coco trocado, o virado e o coco em fileira em Pernambuco; o
samba de roda e o batebaú na Bahia; o jongo, o samba-lenço, o samba-rural e o
samba de roda em São Paulo; o caxambú, o jongo, o samba e o partido alto no
Rio.
Portanto, é certo afirmarmos que o samba pode ser visto hoje como
um ritmo que engloba vários outros, já que suas ramificações não param de
crescer. Por exemplo, o pagode —ritmo que surgiu nas mídias entre as décadas de
70 e 80— é uma dessas novas manifestações advindas do samba.
Construção
O samba é basicamente uma construção musical feita com um compasso
binário e um ritmo sincopado. É sobre esta forma básica que todos os tipos de
samba existentes hoje se formulam.
UOL, Almanaque
Música. Disponível em: <http://almanaque.folha.uol.com.br/samba.htm> Acesso em 28 out 2012.
sábado, 15 de setembro de 2012
Sinhô e o início do samba
Jairo Severiano diz que o
samba surgiu no século XVI, com a chegada dos primeiros negros ao Brasil. Era
uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro; a
umbigada fazia parte da coreografia primitiva do samba. Acontece que ao fim do
século XIX, houve um grande aumento da população negra e mestiça no Rio de
Janeiro (capital), com isso o samba se consolidou de uma fez por todas. O autor
conta como isso aconteceu:
O samba não existiria se antes não tivessem existido o maxixe, o lundu
e as múltiplas formas de samba folclórico, praticadas nas rodas de batuque. A
síntese de todas essas influências deu o samba urbano carioca, gênero musical
binário, sincopado, fixado por compositores populares. (SEVERIANO, 2008, p.69)
Alguns nomes foram importantes
para que pudesse acontecer, Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida) foi uma
dessas personagens fundamentais. Ela promovia em sua casa muitos saraus, e em
noites sucessivas, por uma roda de batuqueiros, foi composto “O roceiro”. Esse
samba é considerado o marco para o nascimento dessa canção urbana, tendo sido
gravado em 1916 com o título de “Pelo Telefone”. Apesar de ainda não apresentar
uma estrutura bem definida e organizada, esse samba foi um sucesso entre o
povo.
A partir daí vários surgiram
vários compositores e o gênero foi imensamente explorado. Os nomes de destaque
foram: Donga, Pixinguinha, o Caninha entre outros, como o de maior destaque José
Barbosa da Silva (1888-1930). Sinhô, como era conhecido por um apelido de
infância, é considerado como o primeiro grande nome do samba, tendo
sistematizado o gênero e se tornado o compositor popular de maior sucesso nos
anos 20.
Foi num contexto de muita
polêmica que o samba surgiu, ingrediente que Sinhô se identificava por demais.
Após a duvidosa autoria de “Pelo Telefone” ter sido registrado em nome de
Donga, Sinhô compôs e gravou seu primeiro samba: “Quem são eles” (1917),
provocando os rivais do samba anterior, causando ainda mais polêmica.
Sinhô dominava muitos aspectos
teóricos de música e foi um compositor nato .
Seus sambas eram em maioria em modo maior, com melodias fáceis de memorizar e
marcadas por forte sincopado. Os assuntos tratados em suas canções eram dos
mais variados, no entanto os mais frequentes eram dinheiro e mulher. Foram
inúmeras composições sendo válido citar algumas: as da fase inicial “Confessa
meu bem” (1919), Vou me benzer (1920) e as do auge de sua carreira, “Amar a uma
só mulher” e “Gosto que me enrosco”.
No auge de sua carreira, “O Rei
do samba” foi um dos compositores mais solicitados. Suas músicas eram
disputadas pelos melhores cantores da época (Francisco Alves e Mário Reis).
Apesar do pouco tempo de contribuição, pois faleceu ainda muito jovem, ele
marcou seu nome na história da música brasileira, pois “Foi ouvindo as músicas
de Sinhô que o Brasil aprendeu a gostar de samba” (SEVERIANO, 2008, p.74)
Referências
SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Editora 34, 2008. 504p.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa foi um grande sambista de São Paulo. No
início de sua carreira, muita gente pode ter ignorado o trabalho de Adoniran
pelo simples fato de ser paulista.
Até mesmo Vinícius de Moraes chegou a afirmar que São Paulo
era o túmulo do samba (DINIZ, 2006).
Podemos concluir, então, que o samba paulista sofria
preconceito de muita gente. Mesmo com todo esse preconceito, Adoniran conseguiu
fazer obras incríveis que agradaram até mesmo quem gostava do samba carioca.
Adoniran foi tão espetacular que chegou a fazer uma parceria
com Vinicius de Moraes. Diniz (2006) afirma
Talvez o sucesso da parceria em “Bom dia, tristeza”
tenha redimido por completo a opinião de Vinicius”, que viu outras joias
musicais de Adoniran alçarem a celebridade nacional. “Trem das onze”, “Samba do
Ernesto” e “Saudosa Maloca” são cantados em todos os recantos deste país.
A parceria com Vinicius, provou que Adoniran conseguia
agradar até mesmo quem já tinha falado mal do samba paulista.
No inicio de sua carreira, Adoniran, era influenciado pelo
samba carioca, principalmente pelo Noel Rosa, mas aos poucos foi construindo um
estilo próprio, incorporando em suas letras e melodias a forma como ele via as
pessoas das classes simples de São Paulo. (DINIZ, 2006).
Moura e Nigri (2002) afirmam que “Adoniran Barbosa é um
paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada
pelas heranças necessárias de fora.”
A música “Saudosa maloca” foi composta após Mato Grosso,
amigo de bate-papo de Adoniran, informar que o prédio onde morava seria
demolido. Após ouvir a história de seu amigo, Adoniran ficou condoído com o
problema do amigo e acabou por fazer a música “Saudosa maloca”, que nada mais
era que uma crítica sobre o que estava acontecendo. (DINIZ, 2006).
A canção “Saudosa maloca” descreve exatamente o sentimento
que Mato Grosso teria sentido ao ver a construção ser destruída. Mostra a vida
de uma pessoa simples, que apesar de morar em uma maloca, era feliz e gostava
do lugar onde morava.
REFERÊNCIA
DINIZ, André. Almanaque
do Samba. 2. Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.
MOURA, F. e NIGRI, A. Adoniran,
se o senhor não tá lembrado. 1 Ed. Rio de Janeiro: Jinkings Editores, 2002.
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