Adoniran Barbosa certamente foi um grande compositor e
também um grande poeta popular. Entretanto, esse era seu nome verdadeiro, e sim
João Rubinato. O nome Adoniran foi adotado por causa de um amigo do Correio, já
o sobrenome Barbosa foi adotado por causa de um compositor que era admirado
(MOURA e NIGRI, 2006).
Uma coisa muito presente nas letras de Adoniran são os erros
de português. É muito comum encontrarmos expressões da forma como o povo fala.
Na música “Tiro ao Álvaro”, por exemplo, a palavra “tábua” é substituída por
“táuba”.
Segundo Vianna (1995), Adoniran falou muita coisa sobre os
erros de português nas letras, podemos destacar a frase “Para falar errado,
precisa saber falar certo.”. Em uma entrevista Adoniran afirma “Falar errado é
uma arte. Se não, vira deboche.” Mais tarde ele diz “Pra escrevê uma boa letra
de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto”.
A respeito de Adoniran, Diniz (2006) afirma “Ele tinha plena
consciência de que escrevia suas músicas fora das normas gramaticais.
Entretanto, defendia com unhas e dentes o direito de se expressar como o povo
falava.”
Nigri e Moura (2002) também falam sobre o samba de Adoniram “as
melhores cadências do samba e da canção[...] se aliaram com naturalidade às
deformações normais de português brasileiro, em que Ernesto vira Arnesto, em
cuja casa “nós fumo e não encontremo ninguém”, exatamente como por todo este
país.
Em várias músicas de Adoniram fica evidente o uso do
português coloquial, demonstrando o jeito que o povo tem de se expressar.
Ouça a música “tiro ao Álvaro”: http://www.youtube.com/watch?v=lpEAQg6LEtg
REFERÊNCIA
DINIZ, André. Almanaque
do Samba. 2. Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006.
MOURA, F. e NIGRI, A. Adoniran,
se o senhor não tá lembrado. 1 Ed. Rio de Janeiro: Jinkings Editores, 2002.
VIANNA, H. O mistério
do Samba. 6 Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995.
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