Jairo Severiano diz que o
samba surgiu no século XVI, com a chegada dos primeiros negros ao Brasil. Era
uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro; a
umbigada fazia parte da coreografia primitiva do samba. Acontece que ao fim do
século XIX, houve um grande aumento da população negra e mestiça no Rio de
Janeiro (capital), com isso o samba se consolidou de uma fez por todas. O autor
conta como isso aconteceu:
O samba não existiria se antes não tivessem existido o maxixe, o lundu
e as múltiplas formas de samba folclórico, praticadas nas rodas de batuque. A
síntese de todas essas influências deu o samba urbano carioca, gênero musical
binário, sincopado, fixado por compositores populares. (SEVERIANO, 2008, p.69)
Alguns nomes foram importantes
para que pudesse acontecer, Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida) foi uma
dessas personagens fundamentais. Ela promovia em sua casa muitos saraus, e em
noites sucessivas, por uma roda de batuqueiros, foi composto “O roceiro”. Esse
samba é considerado o marco para o nascimento dessa canção urbana, tendo sido
gravado em 1916 com o título de “Pelo Telefone”. Apesar de ainda não apresentar
uma estrutura bem definida e organizada, esse samba foi um sucesso entre o
povo.
A partir daí vários surgiram
vários compositores e o gênero foi imensamente explorado. Os nomes de destaque
foram: Donga, Pixinguinha, o Caninha entre outros, como o de maior destaque José
Barbosa da Silva (1888-1930). Sinhô, como era conhecido por um apelido de
infância, é considerado como o primeiro grande nome do samba, tendo
sistematizado o gênero e se tornado o compositor popular de maior sucesso nos
anos 20.
Foi num contexto de muita
polêmica que o samba surgiu, ingrediente que Sinhô se identificava por demais.
Após a duvidosa autoria de “Pelo Telefone” ter sido registrado em nome de
Donga, Sinhô compôs e gravou seu primeiro samba: “Quem são eles” (1917),
provocando os rivais do samba anterior, causando ainda mais polêmica.
Sinhô dominava muitos aspectos
teóricos de música e foi um compositor nato .
Seus sambas eram em maioria em modo maior, com melodias fáceis de memorizar e
marcadas por forte sincopado. Os assuntos tratados em suas canções eram dos
mais variados, no entanto os mais frequentes eram dinheiro e mulher. Foram
inúmeras composições sendo válido citar algumas: as da fase inicial “Confessa
meu bem” (1919), Vou me benzer (1920) e as do auge de sua carreira, “Amar a uma
só mulher” e “Gosto que me enrosco”.
No auge de sua carreira, “O Rei
do samba” foi um dos compositores mais solicitados. Suas músicas eram
disputadas pelos melhores cantores da época (Francisco Alves e Mário Reis).
Apesar do pouco tempo de contribuição, pois faleceu ainda muito jovem, ele
marcou seu nome na história da música brasileira, pois “Foi ouvindo as músicas
de Sinhô que o Brasil aprendeu a gostar de samba” (SEVERIANO, 2008, p.74)
Referências
SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Editora 34, 2008. 504p.
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