sábado, 15 de setembro de 2012

Sinhô e o início do samba


                Jairo Severiano diz que o samba surgiu no século XVI, com a chegada dos primeiros negros ao Brasil. Era uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro; a umbigada fazia parte da coreografia primitiva do samba. Acontece que ao fim do século XIX, houve um grande aumento da população negra e mestiça no Rio de Janeiro (capital), com isso o samba se consolidou de uma fez por todas. O autor conta como isso aconteceu:
O samba não existiria se antes não tivessem existido o maxixe, o lundu e as múltiplas formas de samba folclórico, praticadas nas rodas de batuque. A síntese de todas essas influências deu o samba urbano carioca, gênero musical binário, sincopado, fixado por compositores populares. (SEVERIANO, 2008, p.69)
                Alguns nomes foram importantes para que pudesse acontecer, Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida) foi uma dessas personagens fundamentais. Ela promovia em sua casa muitos saraus, e em noites sucessivas, por uma roda de batuqueiros, foi composto “O roceiro”. Esse samba é considerado o marco para o nascimento dessa canção urbana, tendo sido gravado em 1916 com o título de “Pelo Telefone”. Apesar de ainda não apresentar uma estrutura bem definida e organizada, esse samba foi um sucesso entre o povo.
                A partir daí vários surgiram vários compositores e o gênero foi imensamente explorado. Os nomes de destaque foram: Donga, Pixinguinha, o Caninha entre outros, como o de maior destaque José Barbosa da Silva (1888-1930). Sinhô, como era conhecido por um apelido de infância, é considerado como o primeiro grande nome do samba, tendo sistematizado o gênero e se tornado o compositor popular de maior sucesso nos anos 20.
                Foi num contexto de muita polêmica que o samba surgiu, ingrediente que Sinhô se identificava por demais. Após a duvidosa autoria de “Pelo Telefone” ter sido registrado em nome de Donga, Sinhô compôs e gravou seu primeiro samba: “Quem são eles” (1917), provocando os rivais do samba anterior, causando ainda mais polêmica.
                Sinhô dominava muitos aspectos teóricos de música e foi um compositor nato               . Seus sambas eram em maioria em modo maior, com melodias fáceis de memorizar e marcadas por forte sincopado. Os assuntos tratados em suas canções eram dos mais variados, no entanto os mais frequentes eram dinheiro e mulher. Foram inúmeras composições sendo válido citar algumas: as da fase inicial “Confessa meu bem” (1919), Vou me benzer (1920) e as do auge de sua carreira, “Amar a uma só mulher” e “Gosto que me enrosco”.
                No auge de sua carreira, “O Rei do samba” foi um dos compositores mais solicitados. Suas músicas eram disputadas pelos melhores cantores da época (Francisco Alves e Mário Reis). Apesar do pouco tempo de contribuição, pois faleceu ainda muito jovem, ele marcou seu nome na história da música brasileira, pois “Foi ouvindo as músicas de Sinhô que o Brasil aprendeu a gostar de samba” (SEVERIANO, 2008, p.74)

Referências

SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Editora 34, 2008. 504p.